Recuperação de rios poluídos

Os rios têm importância ímpar nas nossas vidas. São eles que abastecem nossas torneiras para bebermos água, cozinharmos, tomarmos banho e outros momentos de higiene. Vêm dos rios, também, uma parte dos peixes que consumimos, além de outras espécies que fazem parte de nossa alimentação. Fora o fato de que agricultores se valem das águas dos rios para irrigarem suas plantações e, assim, perpetuarem seus campos agrícolas.

Infelizmente, nos acostumamos a ver na maioria das grandes cidades brasileiras q grande quantidade de rios e outros corpos hídricos completamente poluídos, seja por resíduos sólidos, seja pela imensa carga de esgoto que lá é despejada. Como os rios são essenciais para nossa vida e a reprodução das outras espécies, o modo de vida que levamos precisa ser revisto.

Se em outras culturas os rios muitas vezes são sagrados ou sincretizados com deuses, a maior parcela da população ocidental os enxerga apenas como sumidouros de resíduos e rejeitos urbanos, o que consequentemente deteriora nossa qualidade de vida.

A discussão em torno da água ganhou novos contornos após a escassez hídrica de 2013, acendendo uma luz vermelha sobre a forma que gerimos nossos recursos hídricos.

Uma das ações prioritárias para garantirmos água boa e de qualidade para todos, sem sombra de dúvidas, passa necessariamente por despoluir os rios já degradados pelas ações antrópicas.

 

Por que os rios são poluídos

A expansão as cidades nos moldes e nos modelos os quais conhecemos se deu de forma bastante acelerada e abrupta, onde faltou planejamento e sobrou impulsividade. Os rios, de tamanha importância para nossas vidas, primeiramente serviram como “rodovias” para transporte de carga, principalmente; posteriormente, foram sendo vistos cada vez mais como sumidouros de dejetos.

Basicamente, os rios foram sendo cada vez mais encurralados, canalizados, suprimidos e vistos como desimportante pela população e pelo poder público. Sua renovação constante de águas e seu fluxo que escoava os rejeitos urbanos serviram para taxá-lo como, apenas, um condutor de esgoto.

O investimento em saneamento básico é algo muito recente na história das cidades, principalmente nos países subdesenvolvidos. Ainda assim, tamanha disparidade entre as localidades, classes sociais e cidades, o saneamento ainda é uma questão muito deficitária.

Ou seja, grande parte do esgoto do brasileiro ainda vai, com pouco ou nenhum tratamento, sendo direcionado e descarregado nos leitos dos rios urbanos.

Alguns rios famosos, como é o caso do Tietê, é até considerado como um “rio morto”< tamanha carga de esgoto que já foi recebida e ainda se recebe, destruindo qualquer chance de um ser vivo permanecer e se desenvolver naquele ambiente.

 

Como recuperar rios degradados

A vazão do rio e o aporte de esgoto que recebem diariamente são fatores que auxiliam bastante para a recuperação de um corpo hídrico. Ou seja, se a vazão for alta e a carga de efluentes for baixa, a chance de conseguir recuperá-lo é alta, mas, do contrário, torna-se uma missão extremamente complexa e onerosa, como justificam muitos para não recuperação da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, até hoje.

Não há mistério, apenas vontade política: para se recuperar um rio, é primordial se investir em saneamento básico. É imperativo que se trate ao máximo possível o esgoto que sai das casas das pessoas, para que no momento que ele for “devolvido” par a natureza, o efluente possa oferecer o mínimo de impactos ambientais possíveis, aumentando a chance de resiliência daquele ecossistema.

Outra medida importante é incentivar o reflorestamento das áreas próximas aos leitos dos rios, servindo de barreira para a ação antrópica, além de auxiliar na própria capacidade do rio de autopurificação.

Pesticidas e outros agentes químicos são extremamente nocivos para as águas de um rio. É fundamental que se regule o uso desses componentes, tentando evitar ao máximo o contato desses produtos com o corpo hídrico.

A conscientização da população é outra ferramenta indispensável para o sucesso do empreendimento, pois é fundamental não só o engajamento e o controle social, mas também por conta da colaboração dos populares para manter o rio limpo.

Por fim, hoje em dia temos bastante opções de tecnologias e insumos químicos que podem auxiliar nesse tratamento. Diversas pesquisas são conduzidas para se direcionar ações governamentais para o enfrentamento desta questão, entretanto, se as ações supracitadas forem negligenciadas, não há tecnologia no mundo que recuperará o rio com êxito.

Aumentar a vazão do rio e a carga de oxigênio são procedimentos que auxiliam para que o próprio rio se purifique, mas são apenas ações mais complexas e interligadas que vão definir o futuro daquele rio. Cooperação, vontade e paciência são as palavras de ordem, pois décadas ou séculos de descaso não se conserta de um dia para o outro.

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